Como lidar com erros na rotulagem de alimentos?

Como lidar com erros na rotulagem de alimentos?

Quem nunca cometeu algum erro que atire a primeira pedra…

Na área de rotulagem de alimentos, errar não é apenas uma questão operacional, pois pode acarretar riscos regulatórios, recolhimentos, prejuízos financeiros, impacto na imagem da marca e, em alguns casos, riscos à saúde do consumidor.

No entanto, apesar de todo o cuidado técnico envolvido, erros podem acontecer. E quando acontecem, a diferença está em como as empresas reagem ao desvio, pois mais importante do que buscar culpados é entender a causa, corrigir o problema e fortalecer o processo para evitar recorrências.

O primeiro passo: tratar o erro de forma técnica

Quando um desvio é identificado, seja por uma inconsistência nutricional, ausência de declaração obrigatória, erro de tradução, informação divergente entre arte e especificação ou qualquer outro problema, é comum surgir a preocupação imediata com responsabilidade individual.

Mas em muitos casos, o erro não nasce de uma única falha humana. Ele é consequência de processos frágeis, excesso de centralização, ausência de revisão estruturada ou falhas de comunicação entre áreas.

Por isso, a primeira medida deve ser:

  • Identificar exatamente qual foi o desvio;
  • Avaliar o impacto regulatório e sanitário;
  • Verificar os lotes afetados;
  • Definir a urgência das ações;
  • Registrar formalmente a ocorrência.

Sem um diagnóstico claro, qualquer ação corretiva tende a ser superficial.

Medidas corretivas: o que fazer após identificar o erro?

As ações corretivas têm como objetivo eliminar o problema identificado e mitigar seus impactos imediatos.

Dependendo da gravidade do desvio, as medidas podem incluir:

  • Correção da arte de rotulagem: Atualização imediata dos dizeres incorretos para evitar continuidade do erro em novos lotes.
  • Bloqueio ou segregação de produtos: Quando aplicável, impedir a liberação de produtos com rotulagem incorreta até avaliação técnica.
  • Avaliação regulatória do risco: Nem todo erro possui o mesmo impacto. É necessário avaliar se existe um risco à saúde e/ou segurança do consumidor, se o erro pode induzi-lo a erro, dentre outros
  • Comunicação interna: As áreas envolvidas precisam entender exatamente o que ocorreu, qual foi a causa, quais ações estão sendo tomadas e como será evitada a reincidência.
  • Ações de mercado (quando necessárias): Em situações críticas, pode ser necessário recolhimento do produto, comunicação a clientes e mesmo notificação aos órgãos reguladores.

Mas apenas corrigir não resolve

Um dos maiores erros na gestão de desvios é acreditar que “corrigir o rótulo” encerra o problema. Se a causa raiz não for tratada, o erro pode voltar, e às vezes, de forma ainda mais crítica, por isso, é essencial adotar medidas de ações preventivas:

1️⃣ Estruturar um fluxo formal de revisão
Muitos erros acontecem porque o processo depende apenas da atenção individual. Ter um fluxo estruturado reduz significativamente falhas.

2️⃣ Utilizar checklists técnicos
Checklists são ferramentas simples e extremamente eficazes. Eles ajudam a verificar itens críticos como denominação de venda, lista de ingredientes, informação de alergênicos, glúten e lactose, assim como outros itens obrigatórios. Na prática, o checklist reduz a chance de confiar apenas na percepção visual.

3️⃣ Trabalhar com controle documental rigoroso
Fazer tudo sem formalização documental ou mesmo o uso de versões desatualizadas são uma causa frequente de desvios, por isso, é essencial registrar e controlar revisões, identificar responsáveis, registrar as aprovações e garantir rastreabilidade.

4️⃣ Evitar excesso de centralização
Quando uma única pessoa elabora, revisa e aprova todas as etapas, o risco aumenta significativamente. Mesmo profissionais experientes possuem “cegueira operacional” após muitas revisões do mesmo material, por isso sempre que possível é importante: envolver outra pessoa na revisão, criar validações independentes, alternar revisores ou mesmo estabelecer pausas antes da aprovação final.

5️⃣ Fazer análise de causa raiz
Na ocorrência de erros é importante entender a causa raiz do problema, para saber onde trabalhar (O erro foi de interpretação regulatória? Houve falha de comunicação? Ausência de procedimento?), pois cada causa demanda uma ação corretiva diferente. Sem entender a origem real do problema, a prevenção fica superficial.

Cultura de qualidade também se aplica à rotulagem

Muitas empresas possuem processos robustos para qualidade produtiva, mas ainda tratam a rotulagem como uma etapa operacional simples.

Na realidade, a rotulagem é um requisito regulatório crítico e precisa ser gerenciada com o mesmo nível de controle aplicado à segurança dos alimentos.

Erros podem acontecer. Recorrências não deveriam.

A maturidade de um processo não está na ausência absoluta de falhas, mas na capacidade de identificar rapidamente, corrigir adequadamente e aprender com cada desvio.

Na rotulagem de alimentos, prevenir erros é sempre mais barato e mais seguro do que corrigi-los depois que o produto já está no mercado.


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